A noite chegou rápido e de modo fácil. Não parecia que havíamos passado horas ali, contando os dedos repetidas vezes, rindo do nada, conversando sobre assuntos aleatórios, observando tudo, cada minimo detalhe do outro, como se quiséssemos gravar na memória todos os centímetros que nossos corpos possuem. Contei quase todas as suas pintas e percebi que amo aquela marca profunda que existe no lado direito do seu rosto. Fiquei feliz, não havia sido assim, coisa de outro mundo, eramos apenas eu e você. Nós dois. Sem disfarces.
Consegui te dizer o que penso sem medo e ouvi tudo aquilo que você queria falar. Em certos instantes, parecia cena de filme, daqueles bem românticos. Você ali, sentado, e eu com a cabeça no seu peito, usando uma camisa que poderia me servir como pijama, recebendo carinhos e afagos, sentindo meus cachos escorrerem por entre seus dedos, exatamente da forma como você sabe que gosto. Sentindo seu peito arfar a cada respiração.
Eu confesso, nunca fui tão feliz, nunca quis tanto que o tempo parasse como quis naquelas horas. Seriamos nós dois, um quarto claro com vista bonita, uma cama e nosso amor. A história perfeita de amor. Foi fácil me vestir de mim mesma, deixar o mundo do lado de fora e me aconchegar em você. Foi ainda mais fácil sentir os seus braços em volta dos meus, e ainda melhor sentir seus lábios se encontrando aos meus. Nos vestimos de amor e passamos a viver essa nova moda, a moda de amar.
A noite chegou rápido pois não percebemos antes como tudo passa depressa quando se está ao lado de quem se ama. Foi lindo, foi mágico, e foi realidade. Não foi filme. Nós vivemos tudo aquilo, nós ficamos horas entrelaçados um ao outro, nos perdemos e nos reencontramos diversas vezes seguidas e, de modo simples, desvendamos o que muitos passam a vida tentando fazer: Falamos de amor, com a nossa linguagem. Nós passamos horas brincando de amar e não vimos a noite chegar, mas ela chegou, e trouxe consigo mais uma bela paisagem na janela, a paisagem da nossa história perfeita de amor.

















